Murilo Plínio
Engenharia
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Mecatrônica - 9 Perguntas
Mecatrônica - 9 Perguntas
1 Folha Dirigida - Porque você escolheu fazer esse curso?

Murilo Plínio - Estudantes carregam uma grande responsabilidade de decidir sua profissão e seu estilo de vida quando escolhe um curso para o vestibular. Naquela época, confesso que não tinha o conhecimento sobre mecatrônica que tenho hoje, mas gostava da idéia de poder integrar dispositivos mecânicos com a eletrônica e poder dar certa “inteligência” a essas máquinas. Sentia que esse era o futuro e que não teria dificuldades para trabalhar, já que poderia atuar em diversos seguimentos. Apesar da pouca maturidade, já tinha certeza da profissão que queria seguir.

2 Folha Dirigida - Você acha que a grade curricular está em consonância com o que o mercado procura?

Murilo Plínio - Acredito sim. Na verdade o curso de engenharia mecatrônica fornece ao estudante um universo de conhecimento muito vasto. Onde, é claro, as disciplinas relacionadas com eletricidade, por exemplo, não são ministradas com tantas minúcias como numa graduação exclusivamente desta área. Entretanto, o estudante de engenharia mecatrônica, adquire o conhecimento necessário para saber, por exemplo,como aplicar a eletrônica em dispositivos de controle e, principalmente, que caminho se deve seguir para buscar mais detalhes quando estes são necessários. O mesmo ocorre com as disciplinas de mecânica e informática. Não só relacionada a estas três formações, a grade curricular é completada com disciplinas voltadas para projetos hidráulicos e pneumáticos, processos de fabricação, informática industrial, economia, direito e administração, entre outras. Numa primeira análise, estas primeiras parecem mais coerentes, mas por que economia, direito e administração? O engenheiro mecatrônico é um profissional extremamente interdisciplinar e, muitas vezes, estas características são exploradas em funções gerenciais e administrativas. Portanto, não estranhe se encontrar um engenheiro mecatrônica administrando projetos multidisciplinares ou, com grande possibilidade, gerenciando empresas. Daí a necessidade de ter conhecimentos “empresariais”.

3 Folha Dirigida - Quanto tempo você tem de formado?

Murilo Plínio - Me formei em 2007.1.

4 Folha Dirigida - Como você vê o mercado de trabalho hoje em Salvador?

Murilo Plínio - Na década de 1970 existia apenas um tipo de coca-cola e alface era simplesmente alface. O que observamos hoje é uma diversidades de produtos buscado atender a um mercado cada vez mais exigente. Coca-cola zero, diet, ligth, em lata, PET 1 ou 2 litros, em copo, etc. Alface liso, americano, hidropônico, etc.
No passado as fábricas produziam um único produto em grande escala. Hoje o parque produtivo passa por profundas transformações e quebras de paradigmas em busca de atender uma produção com ciclo de vida curto, qualquer variedade e demanda instável. Atender a esta demanda já é reflexo da introdução da mecatrônica nas fábricas e indústrias. Não somente Salvador, por possuir um parque industrial, mas todo o Brasil passa por um momento (que considero perene) onde as fabricas que não optam por introduzir estes novos conceitos não conseguem acompanhar o dinamismo da demanda. O mercado de trabalho inevitavelmente precisa do profissional em mecatrônica. Profissional este capaz de juntar as tecnologias dispersas e o conhecimento especializado em soluções que sejam úteis, econômicas, inovadoras, e, porque não, elegantes. Onde existir uma fábrica existirá espaço para o engenheiro mecatrônico.

5 Folha Dirigida - Você estagiou enquanto cursava a faculdade?

Murilo Plínio - Sim. Desde o terceiro semestre.

6 Folha Dirigida - Você hoje atua na área?

Murilo Plínio - Sim. Trabalho com desenvolvimento de softwares de integração de máquinas para indústria, com projetos de automação envolvendo desenvolvimento, implantação e controle de dispositivos eletro-mecânicos e qualquer projeto mecatrônico. Sou multidisciplinar.

7 Folha Dirigida - Você teve dificuldades em arrumar emprego na área?

Murilo Plínio - Não. Sempre gostei do que faço e estudei pra isso. Tive colegas que não deram a mesma atenção ao curso. Em mecatrônica não precisa somente ter um título, tem que mostrar o que sabe fazer.

8 Folha Dirigida - A média salarial é satisfatória? De quanto seria?

Murilo Plínio - Considero satisfatória por não ter limite. Conheço colegas ganhado o piso salarial do engenheiro. É importante lembrar que uma solução mecatrônica numa máquina que produz milhões de reais em produto, pode representar uma economia de milhares de reais. Se você custar metade disto, seu chefe não vai se incomodar. É importante mostrar quanto se vale, mas para isso, é preciso passar pelo piso salarial, senão, não se tem acesso à máquina.

9 Folha Dirigida - Quais as principais áreas de atuação desse profissional?

Murilo Plínio - Projetista de novos produtos, Projetistas de automações, Consultores, Administradores, Gerentes, Empresários, etc.
(Entrevista concedida à Folha Dirigida para uma reportagem sobre Mecatrônica. Veja a matéria que foi publicada em 17/08/2008.)